maldito processo de avaliação...
por onde se iniciam caminhos, lá estão eles
nos pressionando e nos obrigando a abdicar
de nossas primitivas pulsões
eu sei que se fazem necessários à civilidade
mas como os odeio nem consigo descrever
busco subterfúgios, fugas...
não quero a eles pertencer
de certa liberdade eu preciso gozar
não é nesse mar que pretendo me perder
todas as regras morais a que aprendemos a seguir
defesas que nos confrontam com o pior que existe em nós
a falta, o vazio, o nada
a preguiça, a invalidez
a noção do tamanho que se tem
frente ao infinito que rodeia
e que deixa muito claro a nossa insignificância
uma vida que não serve para nada
só para ser sentida
única e exclusivamente por quem a vive
a rotina insuportável de um emprego que te esgota
e não te acrescenta em nada além do dinheiro
imposto como necessidade de fora
te mantém como passivo refém por inteiro
te manuseia como um fantoche
substitui suas satisfações por outras capitalizadas
e você retribui com um like
um coração de plástico no seu mundo de plástico
servindo ao seu deus abstrato de plástico
as incessantes substituições do mundo moderno
desgastantes, roubam uma energia valiosa
que poderia estar sendo usada de outra forma...
aqui nós sabemos, cada momento que passa
não volta
tudo é sempre perdido no limbo do passado
a única coisa que realmente existe é o agora
e é tão desolador saber que vários agoras
são desperdiçados com futilidades...
situações descartáveis, pessoas descartáveis
em relações descartáveis...
e a agressividade que não pôde ser demonstrada
se vira contra o ego e o massacra diariamente
num movimento masoquista de culpabilização
por não ter sido suficiente nem para si
e por saber que nunca o será
histérica insatisfação que envolve os laços
que unem as pessoas umas as outras
e que são tão facilmente cortados
e depois disso
nenhum remendo é suficiente
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