Há tempos não escrevo por aqui e que saudade estava!
Pretendo me reapropriar mais desse espaço, pois venho sentindo que estou saindo de um tipo de hiato em meu escrever.
Passei um bom tempo reavaliando tanta coisa, que não parecia certo escrever com tanta dúvida... não com tanta sabe? Agora, com um pouquinho menos de confusão, o desejo de fazer brotar as palavras começa a voltar com força.
Escrever é algo que faço a vida inteira. Então posso observar minha relação com a escrita ao longo do tempo e analisar suas nuances e mudanças... não é engraçado como temos tanta certeza das coisas quando somos mais jovens? Quando voltei a meus textos de moça, menina, criança, foi como assistir uma grande ilusão se desfazendo. A ilusão de quem acha que sabe, a ilusão de quem tem certeza. Doce ilusão a qual precisamos nos apegar quando estamos especialmente frágeis, imaturos...
Perceber tanta nuance e tanta mudança me deu uma paralisada. Se mudei e mudo tanto ao longo do tempo, vale mesmo a pena registrar alguma coisa? Tornar algo permanente na palavra escrita enquanto seu significado se esvai da minha consciência?
Eu fiquei um tempo mergulhada nessa questão sem saber, mas agora parece tão óbvio que a resposta é que sim, vale a pena.
Um post de uma colega de profissão que acompanho no Instagram trouxe um insight, como uma última peça de um quebra-cabeça que se está tentando montar há um tempo:
"Quem tem medo de se contradizer pode passar a vida sem dizer nada."
Eu li isso e aí veio tudo!
(Obrigada Nathália! Você é dessas pessoas que produz o tipo de conteúdo pelo qual acredito que vale a pena estar nas redes...)
Mas voltando... eu não quero passar a vida sem nada dizer.
Eu já estou há tempos tentando fazer as pazes com a contradição e a hipocrisia que me é humana.
Eu amo escrever sobre minhas reflexões e jogar isso ao vento deixando cair por aí onde quer que seja.
Percebi que, por trás da certeza aparente, sempre escrevi com dúvida e que é assim mesmo que é...
Tenho tentado abrir mão de certezas e trocá-las por um compromisso: saber o que posso do jeito que posso, com o que tenho, com o que vou conseguindo ser.
Então caro leitor, venho por meio desta, selar um acordo de paz com minhas contradições, passadas, presentes e futuras através desse compromisso. O contraditório, o lapso, o erro, por maior que seja meu desejo de evitá-los, estarão por aqui junto com o que possa estar de bom também, já que este se pretende um espaço de compartilhamento de algo que é meu, portanto, humano.
Eu prefiro correr o risco de errar, de mudar, de acertar, do que me anular e nada viver.
É o que preciso dizer a mim mesma todos os dias, para abastecer a coragem e ousadia de se por a ver, de se por na vida, porque isso me exige, não é fácil, mas vai ficando menos difícil em alguma medida, quando ouso assiscar...

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