sábado, 29 de dezembro de 2018

BLACK MIRROR BANDERSNATCH E OS 13 FINAIS POSSIVEIS QUE ENCONTREI

Meus queridos Black Mirror é uma série que eu sou apaixonada desde os primeiros episódios e uma das coisas que mais me fascinam nessa série é a forma que ela tem de me impressionar. São pouquíssimos os episódios que não me despertaram nada profundo, a grande maioria deles atinge meu ser de uma forma quase insana, são narrativas que tem o poder de levantar questionamentos infinitos... No que tange esse último episódio especial
em formato de filme interativo lançado dia 28 de dezembro, eu quase fiquei sem palavras e acho que falar sobre ele aqui vai até me ajudar a organizar as ideias. Vou tentar organizar algumas coisas nesse post à partir de minhas impressões sobre essa obra prima, começando por descrever a primeira realidade a que minhas escolhas me levaram. Eu assisti com meu amigo então, cada um escolheu de uma vez, dessa forma não consegui ver de primeira qual teria sido a minha primeira linha no tempo se tivesse assistido sozinha e feito as escolhas sozinha. Dessa forma fica aqui a dica para assistirem pela primeira vez sozinhos se quiserem testar isso, eu só consegui avaliar qual teria sido minha primeira história depois que voltei para testar as outras alternativas. Enfim, vamos ao filme. 

1) Somos apresentados ao personagem do Stefan que vive em 1984 e é um programador de jogos que está produzindo um jogo baseado em um livro homônimo Bandersnatch de um cara chamado Jerome, a história do livro é sobre a existência de diversas realidades alternativas onde para cada escolha que tomamos existe uma oposta que leva a um destino diferente sendo um livro interativo com diversos finais possíveis, assim como o jogo
que Stefan pretende criar e o próprio filme em si que estamos assistindo (bizarro). O filme basicamente começa com Stefan acordando numa manhã comum, indo levar uma demo do seu jogo para um chefão de um empresa chamada Tuckersoft, Asin Chaudhry para dar uma olhada. Chegando lá Stefan é apresentado a um dos maiores produtores de jogos da empresa, que ele é meio que fã, Colin Ritman. Então é quando nos deparamos com a primeira escolha que realmente nos faz sentirmos imersos e no comando do episódio. O patrão curte o game e diz que quer contratar Stefan, e aí somos nós quem decidimos se ele aceita ou recusa o trabalho. Alisson escolheu recusar o trabalho, eu teria aceitado (e descoberto adianta que teria "perdido o jogo". Fizemos Stefan desistir de trabalhar na empresa e então ele foi trabalhar em casa. Enquanto trabalhava em casa Stefan vê uma propaganda sobre um jogo do Colin exaltando o mesmo, eu tenho a sensação de que essa cena é relevante. Em seguida numa sessão com a Dra. Haynes, ela pergunta à ele se ele quer falar sobre a mãe dele, e essa resposta também cabe à nós, que num primeiro momento escolhemos que SIM, ele deveria falar da mãe. Então ele relembra o momento mais traumático de sua vida, volta a infância no dia em que à mãe dele morreu, houve um acidente com o trem em que ele estava viajando, ela havia pego esse trem por ter se atrasado, e esse atraso aconteceu porque Stefan não queria ir sem o brinquedo que ele tanto gostava e que seu pai havia escondido, ele culpava seu pai pela morte da mãe por causa disso. Nessa ocasião a psicóloga repete que o passado não pode ser alterado, tenta aliviá-lo da culpa de certa forma, se coloca à disposição dele em qualquer momento que ele precisasse. Saindo da psicóloga Stefan passa em uma loja e deve escolher um disco, na primeira vez escolhemos Phaedra. Em uma prateleira ele vê um livro sobre o criador do livro em que ele se inspira para criar o jogo e compra junto com o disco. Nesse momento ele olha para algumas propagandas na loja e podemos ver um poster que faz referência à um outro episódio de Black Mirror o Metalhead (produzido pelo mesmo diretor desse episódio interativo, David Slade, um dos únicos que não gostei na série toda diga-se de passagem rs). Stefan volta pra casa depois dessa sessão e as cenas nos mostram ele trabalhando para terminar o jogo no prazo estabelecido pelo dono da empresa que iria vendê-lo, quando o pai dele aparece, e aparece duas opções para nós, "Jogar chá no computador" ou "Gritar com o pai", e nessa primeira vez escolhemos a segunda opção. A consequência disso é o pai dele o levando à psicóloga com a desculpa de o levar pra almoçar. Nos deparamos com a próxima escolha, quando Stefan e seu pai estão na frente do consultório da Dra. Haynes, Stefan vê Colin na rua e somos perguntados se ele deve seguir Colin ou entrar e se consultar com a Dra. Escolhemos a primeira opção, Stefan vai atrás de Colin e o conta sobre como está perdido na produção de seu jogo, Colin o leva pra sua casa, apresenta à ele sua filha e sua namorada e depois o leva pra um quarto e oferece algumas drogas para ampliar ele a mente e ver as coisas de um jeito diferente. nesse momento somos levados a nossa próxima decisão difícil sobre a vida de Stefan, Colin oferece o LSD e temos que responder se Stefan aceita ou não. Aceitamos e somos levados a uma das cenas que eu mais gostei na série, Colin começa a dar toda uma explicação sobre um Programa de Controle (PAC), ele explica muita coisa nesse diálogo vale a pena ver mais de uma vez para captar mais detalhes sobre essa conversa. Em seguida ele leva Stefan pra sacada dizendo a ele que existem diversas realidades paralelas e que não importava o que acontecesse, sempre existia outra realidade em outro lugar, sempre seria possível recomeçar. Para provar sua teoria ele enuncia que um dos dois irão pular do prédio, e somos confrontados com a próxima escolha difícil, devemos escolher quem dos dois irá morres, e escolhemos Colin na primeira vez. Stefan fica aterrorizado com a cena, volta para o quarto e vê um bicho estranho, um bicho desenhado pelo Jerome (autor do livro homônimo Bandersnatch) e que ele acreditava ser um demônio chamado PAX. Stefan vê a mulher do Colin vindo em sua direção e chorando ao ver seu corpo estirado em baixo do prédio. Num suspiro Stefan acorda, e estamos numa cena em que ele está no carro com seu pai indo ver a Dra. Haynes. Conversando com ela ele diz estar se sentindo sobre pressão devido ao tempo estipulado, diz estar tendo pensamento estranhos sobre estar sendo controlado por outros. Essa cena também foi muito impactante para nós, eu experimentei uma sensação totalmente nova diante dela, ver Stefan se referindo à nós daquela maneira foi surreal. Ao final da conversas dos dois devemos escolher entre Stefan mexer na orelha ou roer as unhas, e nesse momento escolhemos a primeira opção, quando numa outra linha do tempo eu escolhi a segunda opção o resultado não pareceu ter sido diferente, em ambas as escolhas quando ele vai cumprir o "comando" que ditamos, ele se esforça para não fazê-lo e não o faz. A psicóloga aumenta a sua dose de remédios diz
algumas palavras confortantes de despedida e ele vai pra casa com o pai. Chegando em casa olhando para o espelho e segurando as pílulas devemos escolher por ele entre "Jogar as pílulas no vaso" ou "Jogar as pílulas no lixo", escolhemos a segunda opção. Ele volta ao trabalho no game por três semanas e somos levados ao dia da entrega do jogo, ele vai até a empresa e por lá não se sabe de Colin. Enquanto ele está mostrando o game para o Chaudhry ocorre um erro e ele pede mais um fim de semana para consertar, nisso um estagiário aparece e entrega a Stefan uma fita que Colin havia pedido para deixar com ele pois lhe traria inspiração. Em casa Stefan continua estressado, pega a fita para ver enquanto trabalha e o conteúdo da fita o deixa mais irritado ainda, era um documentário sobre Jerome, contava como ele havia enlouquecido por acreditar que estava sendo controlado por um demônio chamado PAX, achava que sua mulher o dopava com remédios, e por acreditar em realidades alternativas acreditava também que o livre arbítrio era uma farsa e que dessa forma não somos responsáveis pelos nossos atos no final. Jerome acaba tendo um colapso e matando a mulher, espalhando um símbolo com sangue dela pelas paredes da casa, isso está sendo contado quando acontece alguma coisa com o computador de Stefan e somos levados a uma próxima escolha: "Destruir o computador" ou "Bater na mesa". Fomos na primeira opção, ele começa a quebrar tudo o pai dele entra e o abraça e enquanto isso na TV a mulher no documentário continua dizendo o quanto não temos controle sobre nossas ações. Nisso o quadro se fecha e nos deparamos com nosso primeiro final. Aqui aparentemente Stefan simplesmente desistiu, e nossas escolhas o levaram a cair nesse looping, pois a única opção que temos é encerrar o episódio ou voltar e escolher a ação oposta.

2) Para darmos continuidade na história é preciso fazer a outra escolha, e então escolhemos o "Bater na mesa" e ao bater na mesa Stefan se assusta com a própria ação, desliga a TV irritado começa a andar pelo quarto. Temos que escolher por ele mais uma vez, ele deve pegar um livro chamado "Look door get key" ou um porta retrato da família, escolhemos o livro dessa vez. Ele começa a sonhar, que está indo em algum lugar da casa, passa pelo quarto do pai, pega uma chave e chega em um cofre com uma senha, temos então duas escolhas de senha, PAX ou PAC. Fomos na primeira lembrando do PAX demônio citado anteriormente, essa resposta deu senha incorreta e o demônio apareceu pra ele, que ficou assustado e acordou. Tentou voltar ao trabalho e enquanto estava sentado em frente ao computador devemos escolher novamente por ele entre as ações
"Jogar chá no computador" ou "Quebrar o computador". Escolhemos a segunda opção, mas ao ir realizar o comando ele segurou a própria mão e começou a gritar pedindo por um sinal pois sabia que estava sendo controlado de alguma forma. Uma das cenas mais brilhantes pra mim. Devemos escolher então entre "Netflix" e o símbolo que Jerome pintou em seus colapsos. Escolhemos Netflix e então meus amigos começou a aparecer no computador dele uma mensagem "nossa" para ele dizendo que estamos o assistindo pela Netflix, que nós o controlamos através dessa plataforma de streaming do século XXI. Ele fica totalmente confuso o pai dele aparece ele conta o que acabou de descobrir e eles marcam outra sessão com a psicóloga. Na sessão com a Dra. Haynes ele conta sobre a teoria da Netflix que viu no computador e ela questiona ele se isso seria fantasia de sua cabeça, diz a ele que se eles estivessem em uma realidade produzida para entreter alguém aquilo deveria ter mais ação, ela questiona ele se ele quer tornar aquilo mais interessante, e a opção de escolha aparece para nós mais uma vez, devemos escolher entre "Sim" e "Sim, cacete", fomos na segunda opção, e então ele jogou chá nela e começou a quebrar tudo, ela se coloca em posição de luta e pergunta à ele se ele vai cair na porrada com ela ou não, nessa hora devemos escolher novamente por Stefan entre "Pular a janela" ou "Lutar com ela", continuamos na segunda opção e eles começam o quebra pau. O pai dele entra na sala e parte pra cima dele, ergue ele pra cima com as mãos e devemos escolher se o Stefan se defende "Chutando o saco" ou "Golpeando o pescoço" do pai, fomos na segunda opção, a briga continua e o pai o arrasta para fora do consultório com ele em estado de loucura. Esse foi o segundo final que encontramos em formato de looping, ele fica preso nessa realidade quando escolhemos a opção "Netflix" lá atrás. 

3) Se quisermos ver mais algum final diferente pra essa história devemos continuar, e então a cena em que ele pede um sinal aparece novamente, e agora ao invés de escolhermos Netflix escolhemos o Símbolo. A reação de Stefan é totalmente diferente, seu pai aparece no quarto e Stefan corre para a cozinha desesperado, seu pai vai atrás e enquanto tenta acalmar o filho que acredita ter perdido o controle de seus atos, somos levados a fazer mais uma escolha muito forte difícil: "Matar o pai" ou "Desistir", escolhemos a primeira
opção, então ele mata o pai batendo um cinzeiro na cabeça dele. Numa cena totalmente excepcional Stefan olha para cima e nos pergunta, "O que eu faço?" e nós devemos escolher entre: "Enterrar" ou "Cortar em pedaços". Escolhemos a primeira opção, então ele recebe uma ligação do chefe perguntando sobre o andamento do jogo, questionando se ficaria pronto até o fim daquele dia. Nós é quem decidimos isso também, escolhemos a opção NÃO, e quando Stefan diz isso Chaudhry exige que ele termine o jogo, grita com ele e desliga o telefone extremamente irritado. Em seguida a cena continua na empresa com Chaudhry, então a mulher de Colin, Rit aparece perguntando por ele que está
desaparecido, dessa vez ele sumiu de uma forma diferente ela diz, ninguém sabe pra onde ele foi. O estagiário que deixou a fita com Stefan à pedido de Colin menciona esse fato e Rit vai atrás de Stefan pra tender entender o que pode ter acontecido. Quando ela bate na porta de Stefan ele está arrastando o corpo do pai pela sala levando para o quintal para enterrá-lo, ele abre a porta e ela pergunta por Colin, então devemos escolher mais uma vez, Stefan deve responder a ela se "Ele pulou" ou "Não sei". Escolhemos a segunda opção, ela vai embora e ele volta a trabalhar no jogo, quando escuta o cachorro do vizinho em seu quintal encontrando o corpo de seu pai. Somo levados então para um outro final alternativo, um tipo de final diferente dos dois primeiros, que mostra um programa de TV onde dois apresentadores, Leslie e Crispin estão comentando algumas notícias, nessa realidade, a notícia começa com ela falando sobre um futuro onde todos pudessem ter jogos incríveis na palma de suas mãos, passando para o apresentador que noticia que a TuckerSoft, empresa que lançaria o game de Stefan, anunciou falência. A empresa teria investido demais em propaganda para seu mega lançamento de Natal, o Bandersnatch e o jogo nunca chegou a aparecer porque seu criador foi preso acusado de assassinar o pai em um colapso psicológico. Nessa notícia aparece o dono da empresa dizendo que a culpa foi de Stefan que quis trabalhar sozinho não aceitando ajuda com a equipe que ele ofereceu quando o chamou para trabalhar lá, se colocando como uma vítima na história toda. Essa notícia também anuncia o sumiço de Colin e que Stefan alegou não saber nada sobre isso, que apenas o tinha visto cometer suicídio em um sonho. Nessa cena Stefan está assistindo essa notícia de dentro de uma prisão, se vira para a parede e continuar desenhando o Símbolo que Jerome desenhava na parede. Dizem que esse é um dos finais que se alcança se não fizer nenhuma interferência na história, apenas deixar rolar automaticamente.


4) Se quisermos ver mais algum final alternativo para esse filme devemos continuar. Podemos escolher ir para os créditos, ou podemos escolher voltar para a cena em que Stefan decide se enterra o pai, ou, o corta em pedaços. Escolhemos a segunda opção dessa vez. Vamos as consequências. Diante dessa escolha Stefan demonstra total insatisfação, liga para o consultório da psicóloga, mas ela está ocupada e não pode atendê-lo, então ele marca uma sessão para a manhã do dia seguinte. Nisso o seu patrão está tentando ligar para ele, mas não consegue porque a linha está ocupada, nessa realidade Colin está vivo e sentado no sofá nesse momento, diz a Chaudhry que Stefan deve ter desligado o telefone pra se concentrar melhor e pede que o deixe ele em paz, o chefe então dá mais 24 horas para Stefan. Nosso programador então volta a trabalhar no jogo, no dia seguinte na sessão com a psicóloga ele diz que o pai foi ver a irmã na França, ela pergunta como está sendo se virar sozinho, ele diz que está sendo bom sem o pai, e enquanto isso passa alguns flashs dele cortando o pai em pedaços na banheira. Ele conta a ela que terminou o jogo, que ficou ótimo depois que ele percebeu que estava dando muitas opções ao jogador, o que o fez voltar atrás e retirar algumas delas. Enquanto ele diz isso vemos cenas dele em seu quarto admirando seu jogo enquanto, satisfeito, enquanto a cabeça de seu pai está em cima de uma cômoda logo atrás. Somos levados a um outro final aqui. A notícia no jornal começa com Leslie perguntando sobre o jogo BanderSnatch, "é bom ou ruim?" o apresentador, mais jovem que o da notícia anterior, entusiasmadíssimo diz que o jogo é perfeito e dá cinco estrelas de nota para o jogo. Em seguida somos levados a uma outra notícia que estava mostrando essa notícia e dizendo que essa foi a reação ao jogo quando ele foi lançado, mas que pouco depois de seu lançamento, foi descoberto que seu criador havia matado e cortado o pai, o que fez com que os jogos
 
fossem todos retirados das lojas e destruídos. Eles estão noticiando isso porque uma jovem programadora (Pearl Ritman, filha do Colin), que achou o jogo nas coisas do pai e quer refaze-lo novamente se dizendo encantada com a ideia de livre arbítrio. Então somos levamos a uma cena em que ela está trabalhando, ela liga o Bandersnatch e a opção de escolha aparece para nós novamente, devemos escolher ações dela, entre "Jogar chá no computador" ou "Quebrar o computador". Da impressão que ela sente que está sendo controlada, escolhemos a segunda opção, ela quebra o pc e esse é mais um final, quando escolhemos "Jogar chá no computador" ela simplesmente joga, e acaba do mesmo jeito, essa escolha não influencia em mudanças que vão aparecer pra nós mas serve pra mostrar que ela ao tentar "reviver" o jogo, caiu no mesmo looping de Stefan, ou seja, caiu no nosso controle.

5) Se quisermos ver quais outras possibilidades podem existir para Stefan devemos continuar, então podemos escolher terminar ou voltar para a cena em que Stefan deve escolher a foto de sua família ou o livro sobre a chave, dessa vez escolhemos a foto da família e vamos as consequências. Stefan deita com o porta retrato nas mãos, como fez com o livro, mas agora seu sonho é diferente, ele sonha que está em seu banheiro e pode entrar dentro do espelho, quando ele faz isso, encontra do outro lado do espelho a cena em que coloca seu brinquedo embaixo da cama antes de dormir e ouve seu pai discutindo com sua mãe por conta desse brinquedo, dizendo que "menino não pode brincar de boneca", enquanto sua mãe tentava o defender. O pai entra no quarto pega o brinquedo e esconde. Então ele acorda. Nisso então vamos para a cena em que ele pede um sinal, devemos novamente escolher entre "Netflix" ou o Símbolo, escolhemos então o símbolo. Stefan fica extremamente nervoso, seu pai entra, eles correm pra cozinha e dessa vez não nos é perguntado se ele deve matar o pai ou desistir, ele simplesmente pega o cinzeiro e o mata, levando-nos a próxima pergunta, "Enterrar" ou "Cortar". Ao escolhermos a primeira opção, o telefone toca, é Chaudhry, Stefan simplesmente diz, "Sim até o fim do dia" e desliga. Chaudhry sente que está sendo enrolado, Colin está do seu lado dizendo para ele deixar que Stefan explore suas possibilidades, então o chefe pede que ele vá até a casa de
Stefan ver o que ele está aprontando. Colin vai e ao chegar lá Stefan confessa ter matado o pai. Então Colin pergunta se ele vai deixar ele ir ou vai matá-lo também, escolhemos a segunda opção e Stefan mata Colin que se coloca à disposição inclusive, dizendo que o vê na próxima vida. Somo levados então a mais um final alternativo, a notícia começa com Leslie dizendo que ainda faltam muitos anos para que a realidade virtual aconteça, passando a palavra a Crispin que começa falando do assassinato de Colin, criador de Metl Hedd e e Queda Livre (clara referência a outros episódios de Black Mirror), o Bandersnatch nunca chegou a ser lançado nessa realidade por conta da prisão de Stefan, agora preso condenado por duplo homicídio. O chefe da empresa também aparece culpando Stefan por querer trabalhar sozinho e a notícia anuncia que a TuckerSoft faliu. 

6) Podemos continuar explorando as realidades, e é claro que faremos isso! HAHA Podemos escolher terminar ou, voltar para a cena em que Stefan está sonhando com o cofre, agora temos duas opções diferentes de senha para abri-lo, TOY ou PAC, escolhemos a primeira nesse momento e o cofre se abre, ele encontra o brinquedo que seu pai havia escondido quando esse aparece o chamando para ir para a cama, ele é criança nesse momento, e quando vai para o quarto encontra-se com ele mesmo adulto, essa cena
é incrível. Então somos levados a uma das cenas que aparecem inicialmente, mas que antes não podíamos escolher, a mãe dele aparece dizendo que está atrasada e que pegaria o próximo trem perguntando se ele quer ir junto com ela, aqui nos perguntamos, caramba e se mudarmos essa escolha será que isso vai afetar outras realidades? E precisamos testar não é? Nós é que decidimos e podemos escolher se ele vai com ela ou não. Escolhemos que sim, então somos levados a uma cena alegre e colorida, dele com sua mãe e seu brinquedo viajando. Depois disso nos deparamos com ele morto na cadeira da psicóloga, que não entende o que aconteceu, ele estava apenas sentado ali, fechou os olhos e morreu, evidenciando para nós o quanto um realidade influencia em outras, às vezes sim, às vezes não, no momento que em uma das realidades de Stefan decidimos por ele que ele deve ir com a mãe, ele morre em alguma outra realidade durante a sessão com a Dra. Haynes.


7) Ainda restam possibilidades, não vamos escolher os créditos, queremos mais! Então nos aparece a opção de voltar a cena da escolha da senha do cofre novamente, e podemos escolher PAC (Programa de Controle), única opção disponível, e em uma realidade onde ele escolheu o livro antes de dormir. A senha PAC destravou um arquivo cheio de informações sobre a vida de Stefan, ele começa a olhar um por um e perceber que está sendo controlado desde criança e que sua vida toda é uma mentira, se vendo ser enganado pelos próprios pais durante todo esse tempo. Ele acorda assustado, volta para o computador e voltamos para a cena em que ele pede um sinal, mas dessa vez as opções que aparecem para escolhermos são o "Símbolo" ou "P.A.C.S.", escolhemos a segunda opção e aparece na tela o nome do programa que ele havia descoberto nos arquivos do sonho. Seu pai entra, os dois correm pra cozinha, ele começa a acusar o pai por toda a conspiração e acaba o matando sem que possamos escolher, em seguida ele se senta na
escada e tenta ligar para a psicóloga, dessa vez aparece um teclado numérico para nós e nós devemos digitar o número da psicóloga. Digitei um número qualquer e deu número inválido. Então ele enterra o pai sem que isso seja nos perguntado também, como das outras vezes. Volta para trabalhar no jogo, quando vê pela janela o cachorro descobrindo o corpo de seu pai. Chegamos em mais um final alternativo onde a notícia começa com Leslie perguntando sobre o jogo Bandersnatch e o apresentador mais jovem, o mesmo que noticiou as cinco estrelas da outra vez (e esse lance das estrelas também faz referência ao episódio Queda Livre da terceira temporada), começa dizendo que nada é tão fascinante no jogo quanto a incrível história real por trás dele, onde o criador sofreu um colapso e matou o pai, nessa linha do tempo a empresa resolveu lançar o jogo mesmo inacabado, o que o apresentador julga ser errado. O jogo recebe duas estrelas e meia como nota  apenas pela curiosidade mórbida que ele desperta. Stefan está na cadeia assistindo e desenha os símbolos na parede, como nos finais 5 e 3 listados aqui.


8) Quando voltamos uma escolha para trás, e digitamos o número correto da psicóloga, ele liga para ela e a secretária atende dizendo que ela está no casamento da irmã oferecendo um horário para o próximo dia, ele deixa recado pedindo para avisar que ele ligou, falando que sabe sobre o Programa de Controle, conta que matou o pai e que ela é a próxima. Ele desliga, enterra o pai, e escuta a polícia chegando. E somos levados ao mesmo final anterior, com a mesma notícia. 

9) Esse final também é alcançado quando escolhemos não matar Colin, no momento em que ele vai visitar Stefan e ele assume que matou o pai, o que acontece na linha do tempo número 5 dessa lista. Ele também está enterrando o pai quando ouve a polícia chegar da mesma forma, mas a notícia começa a ser anunciada de um jeito diferente, com Leslie anunciando alguma nova tecnologia para o futuro, e Crispin anunciando a falência da Tuckersoft em consequência do não lançamento de Bandersnatch devido ao assassinato cometido pelo seu criador. Dessa vez além do chefe aparecer se colocando como uma vítima, Colin também aparece dando uma entrevista, quando perguntado sobre o que diria a Stefan, responde que falaria para ele começar de novo. Stefan assiste da prisão e como nos outros finais continua escrevendo os símbolos na parede. 

10) Resolvi testar uma outra escolha, e voltei o episódio no começo para fazer Stefan aceitar o trabalho na empresa. Quando fazemos essa escolha (a que eu faria de primeira) Colin se mostra decepcionado, bate nos ombros de Stefan e diz, "Escolha errada". O chefe começa a ditar as regras de como o jogo deve ser feito e já começa pedindo que Stefan diminua o tamanho do jogo. Somos levados a um novo final alternativo, a cena acaba ali e corta para meses depois onde Stefan está sentado no sofá com seu pai, o cenário é natalino e o noticiário está falando sobre Bandersnatch, Leslie começa perguntando ao apresentador jovem se o jogo faz jus a sua propaganda, e ele diz que não, que o jogo é fraco, muito curto e passa a impressão que foi feito apenas para lucrar, dizendo que deviam ter feito algo mais elaborado começando de novo se necessário. Ele não dá nenhuma estrela para o jogo dessa vez, chamando-o de péssimo. O pai de Stefan desliga a TV, diz que o cara não sabe de nada e Stefan diz que irá tentar de novo, ele sai da sala, e somos direcionados novamente para a cena em que ele deve decidir se trabalha na empresa ou não. Ou seja, se escolhermos que Stefan trabalhe na empresa esse será o desenrolar da história, ela acaba rápido como o jogo nessa realidade, as pessoas que escolheram essa opção de primeira podem ter ficado com a mesma impressão de quem jogou o Bandersnatch de Stefan, quando parecia que ia começar, terminou, feito comercialmente sob muita propaganda, apenas para fins lucrativos.

11) Voltei então até esse momento de aceitar ou não o emprego, escolhi NÃO mais uma vez e dei continuidade pra ver se encontrava mais algum final diferente e encontrei! Quando temos de escolher uma das fitas que Stefan vai ouvir e escolhemos Thonson Twins, ele comenta isso com Colin logo após recusar o emprego, Colin faz ele pegar algo e fazer algumas anotações. Ele volta pra casa, o pai dele pergunta como foi, ele diz que foi legal e que não aceitou o emprego, diz que irá trabalhar sozinho em casa e o pai aparenta ficar desapontado. A próxima escolha após essa cena se dá no consultório com a psicóloga, com ela perguntando se ele gostaria de falar sobre sua mãe. Nessa sessão ela está com a mesma roupa da sessão em que ele morre sentado na cadeira. Resolvi escolher a opção Não, e ela faz a pergunta novamente, respondo Não de novo para ver o que acontece, a cena continua com ele na loja, escolhemos o disco diferente da primeira escolha dessa vez. A próxima escolha se dá na cena em que o pai aparece e devemos escolher entre "Gritar com o Pai" ou "Jogar chá no computador", escolhemos a segunda opção dessa vez para diferenciar da primeira e chegamos a um daqueles finais looping onde precisamos voltar para outra cena se quisermos continuar, e nesse caso a cena é com a psicóloga, ele precisa falar sobre ela para a história continuar, se ele não falar sobre a mãe e não gritar com o pai, o restante não irá acontecer, ele estará preso ali. Se ele falar sobre a mãe e gritar com o pai, esse irá o levar à Dra. e no caminho ele poderá escolher entre seguir o Colin ou não, o que influenciará em todo o restante da história de acordo com o que nós decidirmos.

12) Eu achei um final diferente também para quando estamos na cena da briga com a psicóloga, se escolhemos a opção "Pular a janela", ao invés de "Lutar com ela", somos levados a uma realidade alternativa onde Stefan é um ator e está gravando um filme (a nossa realidade), cara, essa parada também foi sinistra! Acabava ali, com o pessoal da equipe ajudando ele a se recompor. Para continuar ele tinha que brigar com a psicóloga, o que leva ao final 3 dessa lista. 

13) Existe ainda um outro final, quando Stefan e Colin estão drogados na sacada e Colin diz que um dos dois irá pular, se escolhemos que Stefen pule, ele morre ali, e essa cena dele caindo também foi bem pesada. O final dessa realidade parte para a cena do noticiário onde Leslie pergunta sobre o jogo, que foi lançado mesmo após a morte trágica de seu criador e mesmo estando inacabado, e o jovem apresentador diz que o jogo é simplesmente horrível, macabro, tenebroso e acaba assim, com ele repetindo diversas vezes o quanto o jogo é ruim.

CARALEO

De longe o maior texto que já escrevi sobre alguma série, levou sei lá quantas horas pra escrever isso, mas eu to extasiada! Precisava organizar na minha cabeça todas as relações existentes entre essas escolhas, quando coloco em palavras fica palpável, passível de compreensão mais profunda, e cara, como estou surpresa e animada com esse filme de Black Mirror! Eu tenho certeza que é uma nova indústria que se abre, filmes interativos irão dominar as nossas telinhas em algum momento e eu vou adorar poder participar de toda essa evolução. A experiência do cinema tem se tornado cada vez mais imersiva, Black Mirror sabe explorar muito bem essa fragilidade desencadeada pelo uso que fazemos da tecnologia, e eu fico sempre muito reflexiva com os episódios dessa série. Ao final de tudo somos levados a pensar sobre nosso papel nas escolhas feitas durante esse "filme-jogo", é uma história sobre nós! Sobre nossas escolhas, sobre consequências de atos decididos por nós, que estamos ali jogando com a vida de outro ser dentro de uma tela e nos divertindo demais com isso. Somos levados a matar pessoas em todas as realidades, nos defrontamos com o sofrimento do personagem e tudo que queremos é continuar testando as alternativas possíveis pra ver o que acontece com a vida dele. Sei que é um filme e isso é o que me alivia, o que não significa que seja algo para não se pensar sobre, até que ponto vamos aceitar o entretenimento interferindo na vida das pessoas sendo que quanto mais real essa experiência parece ser mais nós gostamos? É tanta coisa pra se pensar que passarei semanas pensando nesse file e não esgotarei essa reflexão.
Bandersnatch mostrou a que veio, com poucos personagens, uma história simples (um jovem traumático querendo lançar um jogo interativo) e uma grande variação de opções de finais, Bandersnatch superou todas as minhas expectativas, não conseguiria me contentar apenas com um final fui obrigada a ver todos e passar quase 7 horas olhando pra cara do Stefan sem enjoar dele. Acredito eu que tenha "zerado" todos os finais possíveis, mas vou conversar com os migos para ver se existe mais algum perdido que tenha passado batido. No mais, o meu objetivo aqui foi alcançado, eu só queria tentar expor todas as realidades possíveis apresentadas pelo filme e claro, exaltá-lo porque putaquepariu, que negócio FODA! Vindo de Black Mirror eu não esperava menos, apenas aguardando ansiosa a próxima temporada!

quinta-feira, 27 de dezembro de 2018

BIRD BOX - Considerações Críticas (com spoilers)

Então finalmente me rendi ao filme mais comentado da última semana, terminei de assistir agora e vim correndo escrever enquanto está tudo fresco. Bird Box desencadeou uma enxurrada de postagens à respeito nas redes sociais (as quais eu evitei ler todas porque odeio spoiler, o que foi bem difícil porque estava em todas), a grosso modo percebi que tinha gente falando que odiou, gente falando que amou, gente falando que não entendeu, enfim, tinha opinião de todos os tipos e eu fiquei bem interessada em saber qual seria a minha. Como já é de praxe no meu método de interpretação da vida, tive que ver com meus próprios olhos e analisar meus sentimentos à respeito. 
Bom, pra eu avaliar se um filme é bom eu sigo alguns parâmetros, o primeiro deles é o rastro emocional que ele é capaz de deixar no exato momento em que ele acaba. Em outras palavras, é o sentimento que fica após o término. Esse parâmetro é avaliado automaticamente em primeiro lugar, mas não é exatamente o aspecto mais importante, visto que ele está baseado totalmente na minha percepção momentânea, está traduzido de acordo com as minhas lentes atuais, e isso é totalmente mutável. Eu tenho constantemente experiências ressignificativas nesse sentido, ter uma visão totalmente diferente de um filme que vi anos atrás é um exemplo que se encaixa então, é bom sinalizar que, se as questões se dessem por esgotadas apenas pela nossa percepção momentânea, nenhuma ciência nunca teria sido necessária... mas não divaguemos demais. Continuando.
A sensação que eu tive ao longo do filme foi de certa aflição meio que constante, que misturou-se com curiosidade (à respeito da coisa), e apreciação de momentos de bons diálogos e boas cenas de expressão do relacionamento humano coisa que eu aprecio muito nos filmes então é algo que pontuo forte. O desenrolar do filme me cativou, a construção da narrativa, dos personagens, à forma como foi contado, deixou a história interessante, sendo aquele tipo de história que mantém o espectador preso nele até o final. Isso é muito legal porque é bem difícil assistir filmes assim, ora, existem centenas de filmes incríveis, mas também existem milhares de filmes meia boca e ruins, eu conto como um ponto forte, e no caso desse filme é quase o ponto que sustenta toda a pontuação do filme porque realmente é um atributo muito utilizado. 

A questão é que, toda essa narrativa meio que cria uma fantasia na cabeça de quem está assistindo que culmina na elaboração de mil teorias explicativas para a parada toda. Somos acostumados pela nossa cultura de filmes de sessão da tarde à ficar satisfeitos apenas com finais felizes e explicativos. A grande questão dos filmes sempre foi a de criar todo um mistério para depois solucioná-lo e estamos muito inseridos nessa forma de pensar, logo, é compreensível o sentimento de uma galera que ficou desapontada com a falta de uma explicação do rolê, eu mesma confesso que fiquei esperando mais, mas no meu caso em particular, acredito que essa sensação tenha raízes principalmente na alta expectativa gerada pelo rebuliço das pessoas na internet, não sendo culpa da narrativa em si. Não fomos ensinados à apreciar filmes mais nesse sentido reflexivo que explora nosso imaginário e nossos conteúdos internos. Para mim esse filme teve um pouco dos dois elementos aqui, um pouco de sessão da tarde na medida em que tem cenas pesadas mas não TÃO pesadas, rola um romance, tem um certo momento de humor, o final é feliz, todos os personagens principais sobrevivem, enfim, é um final até "aconchegante". Tem elementos demais dos filmes que estamos acostumados a ver com um final explicativo, mas não se pretende ser somente isso aparentemente. E é aí que vem a parte mais poética, vou dizer assim, que soma alguns pontos também para o filme.
Quando termino de assistir um filme eu costumo refletir sobre a ideia geral que ele quis passar, nesse caso, foi impossível para mim não fazer a conexão entre diversos temas do nosso cotidiano. Vamos analisar os elementos objetivos, pessoas que do nada passam a enxergar algo que as atrai para o suicídio, esse enuncia-se também através de uma voz de uma pessoa querida que busca à todo custo fazer a outra tirar a venda. O que a gente vê é um "nada", um "vento", mas o que a pessoa vê não sabemos, podemos ter uma ideia à partir das imagens esboçadas pelo personagem doidão que pede abrigo e mata todo mundo. Tem essa questão também, não atinge as pessoas consideradas "insanas" que gostam do que está acontecendo, acham lindo, e também não atinge os cegos, porque né, não podem ver. Fora esses dois grupos de pessoas, aquele que olhar para fora de qualquer ambiente fechado, irá cometer suicídio, o que faz com que todos os personagens sejam obrigados a vendarem seus olhos para fazer qualquer coisa fora de casa. A consequência disso é um cenário apocalíptico onde as pessoas precisam lutar bravamente para sobreviver, onde acompanhamos de perto da história da personagem da Sandra Bullock, que estava maravilhosa pra mim, bem como as crianças, que à princípio eu julguei até "obedientes demais", pensei, "caralha se fosse meus sobrinhos pra proteger eu tarra é fudida! Cooomo que essas crianças são assim?" Mas agora refletindo melhor, é compreensível visto que, elas nasceram nesse contexto, elas nasceram nesse mundo, esse é o mundo normal para elas, elas nunca conheceram outras pessoas, elas sempre souberam que não podiam tirar as vendas e que tinham de ser discretas, era uma lei implícita pra elas então, faz sentido o comportamento "tranquilo" deles pensando por esse lado. 
Teve outros personagens legais também, gosto muito quando a linda da Sarah Paulson aparece nas telinhas da vida, e gostei muito do personagem do John Malkovich também, fora eles todos bem ok, o foco foi mesmo na história da Malorie com as crianças. Essa relação nos trouxe elementos para se pensar a relação mãe e filhos, à história fez questão de enfatizar as características mais "duronas" da personagem principal, mostrando que ela e a irmã foram crianças sem pais, o próprio fato dela se recusar a colocar um nome nas crianças evidencia muito essa coisa de um certo "afastamento humano" que ela tem. E que ela é obrigada a quebrar né, além do próprio filho ela fica com a filha da colega que acaba de fazer no mundo apocalíptico e se vê em meio à esse caos tendo que proteger essas duas crianças. O vínculo é estabelecido, percebemos esses afetos sendo explorados em diversas cenas, acho que a principal delas quando ela implora pela volta da garotinha no final da selva e chama as crianças de seus filhos. 
Agora levando pra um lado mais filosófico precisaria me aprofundar em elementos como o pássaro por exemplo, que é de um significado simbólico inesgotável. A analogia mais óbvia parece pretender contrastar nossa realidade atual de prisão particular à prisão imposta aos personagens, obrigados a viver sem poder ver a vida como ela é de verdade, restritos aos poucos relacionamentos pela sua bolha apocalíptica que obrigatoriamente vai se tornando cada vez menor, fechados para o resto do mundo, focados em sobreviver, soa familiar não é? Gosto de obras que explorem esse lado fantasioso em nós, que nos faz pensar sobre as razões pelas quais as coisas se deram de determinada forma. Eu pondero sempre que há uma história e uma intenção por parte dos autores, e gosto quando eles deixam aberturas à leituras diferentes, é realmente instigante pensar sobre, se ressoa no nosso íntimo, com certeza é um elemento à ser analisado. As pessoas vivem em caixas e agem de forma como se a visão da realidade pudesse matá-las, obrigando a si mesmas a se conformarem com as próprias amarras. Aquelas cujas lentes da realidade já estão demasiadamente alteradas aproveitam-se do caos, apreciam-o, vangloriam-se dele. E aqueles que não enxergam com os olhos é que enxergam de verdade, ou seja, aquelas que veem além das aparências vivem a vida como ela seria na sua essência de ser. E dentro de todas essas amarras e imbricações e contradições encontra-se a condição humana vigente, essa condição eterna de estar sempre buscando respostas para justificar todas essas ações sujas que tomamos todos os dias desde que existimos. 

Saio do modo filosofando para reforçar que, não acredito nessa coisa de interpretação correta, certeira, de algo como um filme, ainda mais desse segmento. Ouvi dizer que existem outros sentidos simbólicos por trás do filme, mas como disse, não quis ler nada para evitar spoiler e preferi assistir e correr pra falar sobre então, vou tentar dar mais alguma lida pra ver se encontro algum elemento novo que acrescente ou até mude minha visão haha. Porque até aqui, o filme foi nota 7,0 pra mim, e é claro que minha opinião vale o total de nada pra ninguém relevante do mundo do cinema ou das pessoas que entendem mesmo de filmes, massss diante das considerações aqui expostas, eu me dou esse direito e é isso mesmo. 💋💋



sábado, 15 de dezembro de 2018

Terapia com o espelho

É preciso ter calma, entender as possibilidades
para não ficar andando em círculos
as coisas do mundo real nos assustam
porque parecem frígidas demais e nós
quentes demais

Acreditamos na verdadeira possibilidade de ser...
especiais
ingenuamente cogitamos
em pequenas atitudes diárias
que somos verdadeiros deuses e o restante,
apenas vive em torno de nós

E aqueles que mais são assim
serão justamente aqueles que se preocuparão em dizer o contrário
Porque é errado admitir a imperfeição
no mundo perfeito de plástico que criamos
E aqueles que o fizerem serão engolidos
pelos rebentos do próprio sistema falho e opressor
do qual todos fazemos parte de uma maneira ou de outra

Enquanto respirarmos teremos à nossa frente
escolhas a fazer
e faremos todas elas
mais ou menos conscientes disso
estamos fadados à tomar decisões
até o dia em que o nosso coração parar de bater
E é essa toda informação que realmente temos
o resto é especulação
e um pouco de fé

Quando eu olho para a grandiosidade da vida
eu me questiono sobre tanta coisa...
quase que esperando uma resposta do universo
de perguntas que eu não tenho coragem de fazer
Eu sigo nesse constante diálogo acolhedor
que me esclarece sobre a existência do nada
e me mostra que está tudo bem
Essa é quem eu sou
agora...
E por agora, é assim que deveria mesmo ser
então continuamos.


terça-feira, 11 de dezembro de 2018

Transformação

É uma tarefa sempre difícil a de alimentar esse ego exacerbado
o danado é perspicaz
trabalheira que só
ás vezes eu falo com esse sotaque emprestado
é tipo uma persona cômica ou algo assim
arquétipo conhecido de filmes que vi por aí
flagelos de memórias que não cabem mais em mim
materialista que sou
consigo identificar as raízes desses desejos e sensações abstratas
primeiro que eu estou em um corpo
vivendo numa civilização em um tempo em que
a galera já sabe uma porrada de coisa
e eu tenho o privilégio de ter o todo conhecimento acumulado ao longo da história da humanidade há poucos centímetros da minha cara
porra
esse pensamento assombra meu ego alucinado
que quer acreditar que pode fazer qualquer coisa
e é aí que pela própria experiência eu provo a mim mesma a realidade do materialismo histórico
a prática dos diários desde a tenra idade me favoreceu
e as lembranças permaneceram vívidas e foram ressignificadas
formando um continente efervescente,
que emana uma luz branca azulada
e está sempre em movimento
eu olho pra dentro de mim e o vejo
rodeado de todos os fragmentos de memórias
e o acúmulo das vivências sensoriais
se eu tivesse que associar uma palavra à essa visão
eu a chamaria de transformação 
olhando ali dentro eu vejo então
os incentivos e as provocações
"Jessica você precisa estudar mais que todo mundo pra você ser a melhor da classe"
"Jessica você tem que crescer mais pra ser mais alta que a sua prima"
"Jessica você tem que buscar ser a melhor em tudo que fizer, estar em primeiro deve ser a sua meta e nós nos orgulhamos disso"
e eis-me aqui
e reitero ainda que
meus pais são incrivelmente incríveis à sua maneira
somos todos humanos aqui
não há o que ou a quem julgar
já sofremos tanto, já fizemos tanto
está mais do que na hora de abraçarmos uns aos outros e a nós mesmos
aceitar que falhamos aceitar nossas imperfeições
com amor, genuinidade, respeito...
me parece uma bela de uma receita da evolução
para além dessa material que nos aprisiona
nos confina na mesmice de aquisições supérfluas
um foco de vida puramente baseado na elevação dos egos
através de prazeres distorcidos
que irão nos corroer até nos matar.



sexta-feira, 7 de dezembro de 2018

Resenha Crítica sobre o filme "AS SUFRAGISTAS"


Fiz um trabalho sobre o filme "As Sufragistas" para disciplina de Gênero desse último semestre da faculdade que achei muito interessante e vou compartilhar aqui com vocês para quem tem interesse por temas referentes às lutas feministas. Vou cortar algumas partes para não ficar muito extenso e tentar manter o foco no assunto principal do filme. Espero que gostem 😊



RESUMO DO FILME “AS SUFRAGISTAS”

As cenas iniciais do filme vão nos apresentando o contexto histórico da narrativa que se passa no início do século XX. Começamos sendo apresentados à rotina da protagonista
Maud Watts, uma jovem da classe operária que trabalha numa imensa fábrica com outras dezenas de mulheres durante o dia, e a noite cuida do marido e do filho pequeno. Um dia seguindo seu trajeto comum ela se depara com um tumulto iniciado por mulheres, que começaram a atirar pedras em vidraças de lojas enquanto gritam pelo direito das mulheres ao voto, essas mulheres são conhecidas como sufragistas exatamente por isso, por lutarem há anos pelo sufrágio feminino.
No trabalho ela conhece uma sufragista Violet Miller que a convida à participar das reuniões que elas promovem semanalmente, Maud comparece e vai se mostrando cada vez mais interessada na causa das sufragistas mesmo não se identificando como uma. Violet leva uma surra antes de poder apresentar seu testemunho a um grupo de parlamentares que prometeram julgar a causa sufragista, então Maud acaba tendo que testemunhar em seu lugar e ao fazer isso ela começa a perceber o quanto sua forma de viver não era normal nem deveria ser. Quando a discussão dos parlamentares é encerrada e eles decidem que não há evidencias que justifiquem o sufrágio feminino, Maud se sente imensamente injustiçada, as mulheres começam um tumulto e são impelidas por soldados que as espancam de todas as formas e Maud acaba sendo presa pela primeira vez.
Ela começa a se engajar na causa sufragista participando de suas reuniões e atividades militantes, e depois que é presa pela segunda vez seu marido à expulsa de casa, ela perde também o contato com o filho e perde o emprego, ocasião em que queima a mão do patrão com um ferro quente, se vendo em seguida coagida a colaborar com um promotor em troca de sua liberdade, entregando a ele informações sobre os passos das sufragistas, o que ela finge aceitar mas depois acaba finalmente entendendo que se tornou uma sufragista continuando sua luta ao lado das outras mulheres que conheceu nessa trajetória.
O ato final do filme mostra o suicídio de Emily Davison, uma de suas colegas sufragistas que em meio a um evento público com a participação do Rei e consequentemente de toda mídia mundial, se joga na frente do cavalo do Rei que galopava velozmente, carregando uma bandeira que simbolizava a luta daquelas mulheres, bandeira essa que é recolhida por um dos homens que trabalhava para repreender essa luta, numa tentativa de ofuscar a intenção daquele ato militante. Com essa ação porém as sufragistas recebem a atenção que buscavam da mídia, e depois de muitos anos de sacrifício numa luta que levou à prisão de mais de mil mulheres britânicas, o voto às mulheres acima de 30 anos foi concedido em 1918. A lei reconheceu o direito das mães sobre os filhos em 1925 e apenas em 1928 as mulheres tiveram seu direito ao voto igualado ao dos homens.

 CONSIDERAÇÕES CRÍTICAS

O filme "As Sufragistas" é um filme de 2015 de Sarah Gavron cuja narrativa, como o próprio nome sugere, gira em torno da luta das mulheres pelo direito ao voto. É muito válido a informação inicial do filme ressaltando que o mesmo retrata um recorte específico da história da luta pelos direitos das mulheres, visto que de acordo com Bittencourt (2015), essa é uma luta antiga, silenciada por uma opressão constante advinda de interesses dominantes, onde cada época tem suas especificidades, esse friso é importante para ressaltar a importância de se compreender a pluralidade dos movimentos que lutaram pela ampliação dos direitos das mulheres ao longo da história, e entender que a retratação artística do filme é referente à um recorte de um momento específico em um lugar específico, e não deve ser entendido como algo que represente o movimento como um todo. 
Segundo Bittencourt (2015) a primeira onda feminista surgiu pouco depois da Revolução Francesa e ficou conhecida como "sufragista", termo que deriva de sufrágio que significa poder de escolha por meio do voto, uma pauta marcante como símbolo em muitos movimentos feministas ao longo do tempo. O filme se passa no ano de 1912 em Londres, dentro desse contexto de luta por parte de milhares de mulheres que acontecia nesse período nos EUA e na Inglaterra. A obra mostra o fracasso contínuo da luta das mulheres pelos seus direitos enquanto suas reivindicações não atingem profundamente a estrutura do patriarcado.
O conceito de Marilena Chauí apresentado por Santos e Izumino (2005) é muito facilmente identificado no filme, a diferença biológica existente entre o homem e a mulher é transformada em uma desigualdade na medida em que naturaliza atitudes opressoras de um em relação ao outro de forma que ambos contribuem para perpetuar esse sistema. Maud sente na pele sofrimentos que a acometem especificamente por ela ser mulher e no início do filme podemos perceber o quanto sua situação de vulnerabilidade lhe parece natural, ela aceita o tratamento abusivo do patrão e aceita que ainda deve ser grata a ele, ela realmente se sente inferior e acredita que isso é normal, ou seja, é possível observarmos inicialmente Maud servindo como instrumento de reprodução da ideologia patriarcal, assim como todos aqueles ao seu redor que não estão familiarizados com a causa. A visão de Heleieth Saffioti colocada por Santos e Izumino (2005) de que os sistemas capitalista e racista possibilitam a dominação masculina perpassando também o plano econômico e beneficiando principalmente o homem rico e branco, algo que chega a ser quase palpável no filme, quando observamos a exploração realizada pelo patrão de Maud, homem adulto, branco e rico que lucra muito as custas do trabalho quase escravo que impõe as suas operárias que aceitam como algo muito natural. Elas são obrigadas a trabalhar em péssimas condições, trabalham mais horas que os homens e ganham menos do que eles e além disso deixam seus salários com eles, um cenário que torna o lucro exacerbado sobre a exploração humana algo legalizado beneficiando somente os patrões.
Quando vemos Maud sair da posição de vítima e começando a adotar uma postura de militante, podemos ter uma visão sobre a proposta de relativização da “vitimização” e da “culpabilização” de Maria Filomena Gregori apresentada por Santos e Izumino (2005), de modo que podemos perceber a limitação imposta pela vitimização que também colabora para que a mulher se torne “cúmplice” na perpetuação da opressão patriarcal, na medida em que ela aceita a posição de vítima e entende que nada tem à fazer para mudar sua própria situação fazendo com que essa continue. Ouso dizer que a necessidade que ainda temos do feminismo é muito visível em Maud, até hoje muitas mulheres se encontram tão acostumadas com suas vidas que são incapazes de perceber as violências que sofrem, se encontram vitimizadas e tem muita dificuldade em mudar sua situação por nem entenderem que existem outras saídas e que o que vivem não é algo natural ou normal. É claro que em cada contexto específico poderemos identificar mecanismos diferentes atuando dentro dessa mesma lógica de violência contra a mulher, e é importante sempre frisar que analisar filmes e textos como os apresentados nesse trabalho é buscar entender as diversas faces de um movimento muito antigo e complexo, que é o das mulheres na busca de igualdade.
Existe uma marcante pluralidade característica nos movimentos reivindicatórios das mulheres ao longo dos anos, o filme traz um recorte de uma época específica em um lugar específico e consegue nos dar um panorama sobre uma realidade específica, se trata de uma obra que pretende contar uma visão sobre um determinado lado de uma história real.

Somos levados nesse filme a sentir mais de perto um pouco da realidade dessas mulheres tão corajosas que sofreram de diversas formas em prol dos seus ideais progressistas, perderam tudo que tinham pela sua luta, que nunca foi em vão da qual nós hoje saímos beneficiadas. A estratégia do filme de narrar a história de uma mulher comum que aos poucos começa a perceber o quão errado está o funcionamento da sociedade e aos poucos vai se engajando na militância, perdendo emprego, marido, filho, sendo presa, torturada e oprimida de todos os lados, torna o filme acessível ao público médio, que tem interesse em sentir um pouco mais sobre essa realidade que hoje pode parecer distante para alguns, mas que assume diferentes máscaras para se fazer presente, o que não nega é claro, que muitos avanços foram conquistados até hoje, mas também evidencia a contínua necessidade de se aprofundar os debates acerca da violência contra a mulher e mais recentemente a violência de gênero, bem como as outras formas de violência explicitadas nos textos.
A luta contra a opressão de gênero é contínua e deve permanecer sendo explorada,  a exibição no final do filme dos anos em que o voto feminino foi conquistado em cada país ao longo dos anos deixa essa questão bem evidenciada. No país do filme, Londres, esse ano foi 1928, no Brasil foi em 1932, na China em 1949, na Nigéria em 1976, na Arábia Saudita foi em 2015! Dados que enfatizam a necessidade presente até os dias atuais de se continuar fomentando discussões sobre esses temas de modo que seja possível construir estratégias cada vez mais eficazes na luta pelo combate à qualquer tipo de violência e opressão de gênero. 



REFERENCIAS

BITTENCOURT, Naiara Andreoli. Movimentos feministas: As "ondas" dos movimentos feministas e o eurocentrismo da história. Insurgência, Brasília, v. 1, n. 1, p.198-210, jun. 2015.

SANTOS, Cecíçia Macdowell; IZUMINO, Wânia Pasinato. 1.3. Violência contra as mulheres e violência de gênero: notas sobre os estudos feministas no Brasil. Estudos Interdisciplinares de América Latina, Caribe, v. 1, n. 23, p.2-16, 2005.

GAVRON, Sarah. Suffrafette. Reino Unido/França. 2015.