quanto mais complexos nos tornamos
mais precisamos criar mecanismos para lidar com essa complexidade
e todos os dias há uma tentativa de fragmentação disso,
como se ser complexo fosse uma ideologia emancipadora.
deve muito que ser.
por isso tantos deles tem medo de assumir.
não é fácil ser um ser humano,
um ser humano de verdade,
na teoria e na prática,
sentindo a responsabilidade nisso,
o vazio emergindo
e a superfície ficando inundada dessa substância cósmica e pálida.
os lapsos todos em movimento,
tudo girando, tudo em uma esfera,
expelindo pedaços de momentos e dando contornos a personalidades
pouco flexíveis, previsíveis, clichês, acríticas...
viva os tempos modernos!
onde os olhares se perdem em telas que brilham
o que está presente não se faz ali
a onipresença não é atributo mais tão somente de Deus
estamos sendo testados...
como estratégia,
as fugas
elas também se transformam,
se complexificam...
tem como não ser assim?
a profundidade dá um ar de tristeza
na falta de adjetivos que expliquem melhor esse sentimento
de compreensão da beleza no significado do nada
a emoção que sentimos quando damos conta de nossa pequenez
insignificância
diante de um universo tão infinito
e saber que essa magnitude nos engole
é libertador
nos obriga a focar no presente
ser consciente agora
não teremos tempo depois
não há tempo para depois...
quem nunca se sentiu confortável com o barulho da noite
os sons de carros e motos entrando madrugada a dentro
competindo com sons de cachorros latindo e um vento gelado
que balança os galhos das árvores lhes dando um movimento
que emite aconchego e paz
mais perto só os sons do teclado sendo tocado pelos dedos
quando a frase toma conotação sexual ela desperta outros desejos
talvez os sonhos dessa noite cheguem mais tarde...
e talvez possuam ousados olhos castanhos
com alguns diplomas que o conferem esse ar
no mínimo, incitante...
e esse é sempre um bom momento para encerrar uma catarse