sexta-feira, 4 de setembro de 2020

tranquila e flutuante

eu percebo que o silencio vai... se estabelecendo
trazendo calmaria
o que antes não deixaria de ser dito
agora compõe a vastidão das vozes silenciadas
porque encontraram conforto em seu eco
é um processo complexo esse de abraçar as próprias sombras
olhar não só pra dentro mas pro fundo

uma vez eu mergulhei no mar na escuridão da noite e pensei,
isso é liberdade...
as águas eram frias, mas eu não sentia
porque eram acalentadoras e quietas 
e me acariciavam
ali eu só existia 
tranquila e flutuante
nas profundezas daquelas águas negras 
não pensava se estava viva ou morta
não existia tempo nem espaço 

falar de penetrar nas próprias trevas,
idealizar menos o ego, 
se retirar do pedestal narcisista
remete a esses sonhos...
confrontar  o mais anuviado que aqui habita
dá sensação boa de liberdade
é como construir verdade
antes de erguer a ponte 
porque entende-se que
essa missão deve ser importante para mais alguém
além de mim mesma


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