Eu sempre fui o tipo de pessoa que se emociona muito facilmente vendo filmes, novelas e séries, e aos 9 anos eu tive contato com essa obra prima de Steven Spielberg,
intitulada A. I. Artifical Intelligence que me fez ter contato com sensações e
sentimentos nunca antes experimentados, como se fosse uma catarse mesmo, me
lembro de ter permanecido chorando por mais de meia hora após o término do
filme. A. I. é uma produção cinematográfica que mexeu tanto comigo que
permaneceu no hall dos meus filmes mais inesquecíveis e memoráveis, e mesmo
assim, não havia o assistido novamente até hoje, quase 17 anos depois. Vi um
desafio sobre filmes nos stories de uma colega sobre assistir um filme por dia
escolhendo à partir de um tema específico, e claro, resolvi aderir
imediatamente, afinal, tudo colaborou para que assim fosse, acabou minha semana
de provas mesmo, das séries que acompanho, todas estão de férias, e até onde eu
sei só TWD que volta mês que vem, mas ah, super dou conta, inclusive até
prefiro esperar juntar uns 3 episódio pra dar graça haha, enfim
voltando aos
motivos, a facilidade de escolher filmes com temas pré-estabelecidos me agrada,
e também porque vai ser um exercício muito legal de auto conhecimento. Eis que,
o primeiro dia do desafio pede que se comece pelo filme preferido. Essa é
sempre uma questão muito difícil pra mim, porque eu tenho muita facilidade pra
gostar das histórias, é muito difícil eu assistir algo realmente ruim ao ponto
de não me acrescentar em nada, não me fazer sentir nada, isso é muito raro, e,
é o critério que eu uso atualmente pra definir essas preferências. Quando me
fazem essa pergunta geralmente já falo uns cinco filmes juntos em primeiro
porque a liberdade poética assim me permite, mas hoje quando fui obrigada a
decidir um para começar o desafio, selecionei total e inteiramente por critério
sentimental, optando pelo filme que sempre me vem à mente imediatamente quando
questionamentos sobre filmes surgem. E, amigos essa experiência foi tão
incrivelmente maravilhosa que precisei vir aqui derramar algumas palavras pra
deixar eternizado meus atuais sentimentos em relação à esse filme.
Aos 9 anos o que mais me marcou no contexto geral do filme foi à questão dos
sentimentos do personagem principal, David, um robô com inteligência artificial
com aparência de uma criança criado para amar, programado para isso. Eu lembro
de ficar extremamente chocada com a dor sentida pelo personagem, que para mim
parecia inconcebível. "Eu chorava de soluçar", expressão que me
resume vendo esse filme. Hoje aos 25 anos eu ainda tenho esse fio condutor de
empatia como o principal motivo pelo qual me emociono tanto com essa história,
e a questão do abandono e do sofrimento de um ser tão inocente. Analisando a história
da minha vida hoje eu consigo entender o porque dessa ligação tão forte, não
preciso deixar explícito aqui, mas para se ter um panorama, digamos que eu
saiba da onde vem essa empatia tão forte com a dor do David. O incrível é que
dessa vez eu chorei igual uma criança da mesma forma, minha sobrinha acabou vendo o final
do filme comigo, e ficou meio assustada com a minha reação, ela tem 5 anos, e eu tentei explicar
resumidamente a história para ela de uma forma simples, ela ficou bem interessada no filme, sentou comigo e
ficou quieta prestando atenção, mesmo o filme estando legendando e ela não
entendendo mais do que o que eu explicava para ela. Quando acabou ela me
questionou, quis entender o que o filme tinha que me fez ficar daquele jeito,
não entendia porque eu não estava "tão triste" e eu via nela que ela queria estar
triste como eu. Eu só consegui pedir que ela esperasse os seus 10 anos chegar
para a gente sentar juntas e assistir de novo desde o começo. Ela concordou, e
pediu "mas me lembra porque talvez até lá eu esqueça". Ah, a Laura é
maravilhosa. Enfim, disse tudo isso pra enfatizar os meus sentimentos em
relação à esse filme, são muito intensos mesmo, e hoje assistindo de novo eu
entendi o porque.
Se antes eu tinha alguma dúvida hoje não tenho mais, é de fato o meu filme
preferido da vida até aqui, comprovado empiricamente pelo meu coração, e não
adianta o coração sempre será meu motivo maior. O legal foi perceber outras
coisas para além dessas, a questão da inteligência artificial e de formas muito
superiores de vida sempre foi uma questão de curiosidade pra mim, muito
estimulada por uma família toda espírita que acredita em mil coisas
extraordinárias, e por muitos filmes do Spielberg além desse rs, consumo tudo
que aparece em relação à essa temática. A minha paixão por Black Mirror pode
ter nascido com A.I. e isso é muito provável. Essa questão é muito bem
explorada no filme, tem uma cena no começo que o criador do David está
anunciando que irá criar esse novo robô criança capaz de amar, quando uma
participante da reunião faz uma pergunta muito interessante que ressoou nos
meus ouvidos, ela disse, basicamente, "ok que os robôs venham a conseguir
amar tudo bem, a questão também é, será que os humanos também conseguirão amar
esse robôs? se eles tem capacidade de amar de verdade, qual a responsabilidade
que temos sobre esses robôs?". Eu achei incrível os apontamentos dela,
porque realmente, faz todo sentido pensarmos isso, e aqui eu queria colocar a
minha reflexão sobre esse tipo que questão. Acredito fielmente que no dia que
nos dispusermos a criar inteligências artificiais com capacidade para ter
sentimentos reais, essas criações devem ter
direitos civis, e serem tratadas
como qualquer ser humano, afinal, elas sentem. Não consigo conceber a ideia de que seja diferente.
Porque sendo diferente disso, acontece o que acontece no filme, os humanos
criam a tecnologia e vão até o seu limite para testar a própria capacidade, e
quando o fazem, não se responsabilizam pelas consequências, típico. A falta de
uma política sobre essa questão e de leis de proteção a inteligência artificial
permitem barbáries como as vistas no filme, evidentes nas cenas em que mostram
um festival, lotado de pessoas, prontas para assistir robôs serem massacrados.
Eles vibram, eles deliram, diante das mais perversas maneiras de se destruir
uma criação. Eles não possuem dor física, mas a realidade psíquica deles existe
e funciona de maneira tão real quanto a de um ser humano, uma vez que ele é
projetado para sentir. Então humanidade eu só te peço, antes de criar
inteligência artificial tenha noção de duas coisas: políticas de proteção que
garantam direitos civis à esse tipo de criação, e, saiba que no final são eles
que vão sobreviver à nós, é isso mesmo, não adianta, um dia, os robôs nos
substituirão completamente, espero que não de forma perversa, que seja algo
natural tipo, criamos seres inteligentes e perfeitos que nunca morrem então, é
muito provável que eles continuem e nós não, então, aceitemos isso e convivamos
em harmonia, OU, não cria nada caralha.
Isso tudo somado a uma fotografia maravilhosa e efeitos visuais sensacionais,
só me deixaram mais vislumbrada ainda dessa obra do gênero de ficção
científica, que juntamente com drama e suspense, encabeçam o tripé dos meus
gêneros preferidos. O tempo que David foi capaz de esperar, dois mil anos, para
ter um dia de amor, um dia de felicidade, humano nenhum teria essa resiliência,
essa perseverança é impossível para nós por diversos motivos. Eu sinceramente?
Voto para que tenha inteligência artificial sim, do mesmo jeito que um robô
pode ser "bom ou mau", o humano também tem as mesmas possibilidades,
do mesmo jeito que teriam os bons, teriam os maus, e tudo bem, seguiríamos
guerreando e aprendendo (?) sei lá, possibilidades né mores.
Mas seria legal,
eu já penso num híbrido de robôs com humanos, tipo uns android mesmo, a gente
poderia ser imortal também, substituindo todos os órgãos defeituosos por órgãos
artificiais, até a pele poderia se manter renovada, um mar infinito de possibilidades
novamente... gosto de pensar que poderia dar certo, se fôssemos capazes de
criar algo tão sublime como esse cientista que criou o David no filme, seriamos
realmente muito extraordinários, deveríamos nos comportar como tal em todas as
áreas da vida.
A questão do amor envolve todo o filme, todos que olham para David não
acreditam que ele é um robô de tão real que ele é, um cara na cena do festival
de assassinatos de robôs que não quer deixar que o sacrifiquem comenta, "é uma criação feita com muito amor". E de fato é,
descobrimos que David é uma réplica idêntica do filho de seu criador, também
chamado David, e que por alguma razão morre. E esse amor produz algo tão
magnífico que, num futuro muito distante, vem a ser a única forma de contato de
uma inteligência superior e a humanidade que há muito não existia mais. A luta incansável de David só termina, quando finalmente ele escuta o que sempre quis escutar, que é amado. Esse momento é fora do comum. Bom,
mas ah, eu sou apenas uma doida que acha que vamos sobreviver na eternidade do
universo através da inteligência artificial, não me levem a sério. 




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