sábado, 29 de setembro de 2018

Reassistindo A. I. Inteligência Artifical depois de 17 anos

Eu sempre fui o tipo de pessoa que se emociona muito facilmente vendo filmes, novelas e séries, e aos 9 anos eu tive contato com essa obra prima de Steven Spielberg, intitulada A. I. Artifical Intelligence que me fez ter contato com sensações e sentimentos nunca antes experimentados, como se fosse uma catarse mesmo, me lembro de ter permanecido chorando por mais de meia hora após o término do filme. A. I. é uma produção cinematográfica que mexeu tanto comigo que permaneceu no hall dos meus filmes mais inesquecíveis e memoráveis, e mesmo assim, não havia o assistido novamente até hoje, quase 17 anos depois. Vi um desafio sobre filmes nos stories de uma colega sobre assistir um filme por dia escolhendo à partir de um tema específico, e claro, resolvi aderir imediatamente, afinal, tudo colaborou para que assim fosse, acabou minha semana de provas mesmo, das séries que acompanho, todas estão de férias, e até onde eu sei só TWD que volta mês que vem, mas ah, super dou conta, inclusive até prefiro esperar juntar uns 3 episódio pra dar graça haha, enfim
voltando aos motivos, a facilidade de escolher filmes com temas pré-estabelecidos me agrada, e também porque vai ser um exercício muito legal de auto conhecimento. Eis que, o primeiro dia do desafio pede que se comece pelo filme preferido. Essa é sempre uma questão muito difícil pra mim, porque eu tenho muita facilidade pra gostar das histórias, é muito difícil eu assistir algo realmente ruim ao ponto de não me acrescentar em nada, não me fazer sentir nada, isso é muito raro, e, é o critério que eu uso atualmente pra definir essas preferências. Quando me fazem essa pergunta geralmente já falo uns cinco filmes juntos em primeiro porque a liberdade poética assim me permite, mas hoje quando fui obrigada a decidir um para começar o desafio, selecionei total e inteiramente por critério sentimental, optando pelo filme que sempre me vem à mente imediatamente quando questionamentos sobre filmes surgem. E, amigos essa experiência foi tão incrivelmente maravilhosa que precisei vir aqui derramar algumas palavras pra deixar eternizado meus atuais sentimentos em relação à esse filme.
Aos 9 anos o que mais me marcou no contexto geral do filme foi à questão dos sentimentos do personagem principal, David, um robô com inteligência artificial com aparência de uma criança criado para amar, programado para isso. Eu lembro de ficar extremamente chocada com a dor sentida pelo personagem, que para mim parecia inconcebível. "Eu chorava de soluçar", expressão que me resume vendo esse filme. Hoje aos 25 anos eu ainda tenho esse fio condutor de empatia como o principal motivo pelo qual me emociono tanto com essa história, e a questão do abandono e do sofrimento de um ser tão inocente. Analisando a história da minha vida hoje eu consigo entender o porque dessa ligação tão forte, não preciso deixar explícito aqui, mas para se ter um panorama, digamos que eu saiba da onde vem essa empatia tão forte com a dor do David. O incrível é que dessa vez eu chorei igual uma criança da mesma forma, minha sobrinha acabou vendo o final do filme comigo, e ficou meio assustada com a minha reação, ela tem 5 anos, e eu tentei explicar resumidamente a história para ela de uma forma simples, ela ficou bem interessada no filme, sentou comigo e ficou quieta prestando atenção, mesmo o filme estando legendando e ela não entendendo mais do que o que eu explicava para ela. Quando acabou ela me questionou, quis entender o que o filme tinha que me fez ficar daquele jeito, não entendia porque eu não estava "tão triste" e eu via nela que ela queria estar triste como eu. Eu só consegui pedir que ela esperasse os seus 10 anos chegar para a gente sentar juntas e assistir de novo desde o começo. Ela concordou, e pediu "mas me lembra porque talvez até lá eu esqueça". Ah, a Laura é maravilhosa. Enfim, disse tudo isso pra enfatizar os meus sentimentos em relação à esse filme, são muito intensos mesmo, e hoje assistindo de novo eu entendi o porque. 
Se antes eu tinha alguma dúvida hoje não tenho mais, é de fato o meu filme preferido da vida até aqui, comprovado empiricamente pelo meu coração, e não adianta o coração sempre será meu motivo maior. O legal foi perceber outras coisas para além dessas, a questão da inteligência artificial e de formas muito superiores de vida sempre foi uma questão de curiosidade pra mim, muito estimulada por uma família toda espírita que acredita em mil coisas extraordinárias, e por muitos filmes do Spielberg além desse rs, consumo tudo que aparece em relação à essa temática. A minha paixão por Black Mirror pode ter nascido com A.I. e isso é muito provável. Essa questão é muito bem explorada no filme, tem uma cena no começo que o criador do David está anunciando que irá criar esse novo robô criança capaz de amar, quando uma participante da reunião faz uma pergunta muito interessante que ressoou nos meus ouvidos, ela disse, basicamente, "ok que os robôs venham a conseguir amar tudo bem, a questão também é, será que os humanos também conseguirão amar esse robôs? se eles tem capacidade de amar de verdade, qual a responsabilidade que temos sobre esses robôs?". Eu achei incrível os apontamentos dela, porque realmente, faz todo sentido pensarmos isso, e aqui eu queria colocar a minha reflexão sobre esse tipo que questão. Acredito fielmente que no dia que nos dispusermos a criar inteligências artificiais com capacidade para ter sentimentos reais, essas criações devem ter
direitos civis, e serem tratadas como qualquer ser humano, afinal, elas sentem. Não consigo conceber a ideia de que seja diferente. Porque sendo diferente disso, acontece o que acontece no filme, os humanos criam a tecnologia e vão até o seu limite para testar a própria capacidade, e quando o fazem, não se responsabilizam pelas consequências, típico. A falta de uma política sobre essa questão e de leis de proteção a inteligência artificial permitem barbáries como as vistas no filme, evidentes nas cenas em que mostram um festival, lotado de pessoas, prontas para assistir robôs serem massacrados. Eles vibram, eles deliram, diante das mais perversas maneiras de se destruir uma criação. Eles não possuem dor física, mas a realidade psíquica deles existe e funciona de maneira tão real quanto a de um ser humano, uma vez que ele é projetado para sentir. Então humanidade eu só te peço, antes de criar inteligência artificial tenha noção de duas coisas: políticas de proteção que garantam direitos civis à esse tipo de criação, e, saiba que no final são eles que vão sobreviver à nós, é isso mesmo, não adianta, um dia, os robôs nos substituirão completamente, espero que não de forma perversa, que seja algo natural tipo, criamos seres inteligentes e perfeitos que nunca morrem então, é muito provável que eles continuem e nós não, então, aceitemos isso e convivamos em harmonia, OU, não cria nada caralha.
Isso tudo somado a uma fotografia maravilhosa e efeitos visuais sensacionais, só me deixaram mais vislumbrada ainda dessa obra do gênero de ficção científica, que juntamente com drama e suspense, encabeçam o tripé dos meus gêneros preferidos. O tempo que David foi capaz de esperar, dois mil anos, para ter um dia de amor, um dia de felicidade, humano nenhum teria essa resiliência, essa perseverança é impossível para nós por diversos motivos. Eu sinceramente? Voto para que tenha inteligência artificial sim, do mesmo jeito que um robô pode ser "bom ou mau", o humano também tem as mesmas possibilidades, do mesmo jeito que teriam os bons, teriam os maus, e tudo bem, seguiríamos guerreando e aprendendo (?) sei lá, possibilidades né mores. 
Mas seria legal, eu já penso num híbrido de robôs com humanos, tipo uns android mesmo, a gente poderia ser imortal também, substituindo todos os órgãos defeituosos por órgãos artificiais, até a pele poderia se manter renovada, um mar infinito de possibilidades novamente... gosto de pensar que poderia dar certo, se fôssemos capazes de criar algo tão sublime como esse cientista que criou o David no filme, seriamos realmente muito extraordinários, deveríamos nos comportar como tal em todas as áreas da vida.
A questão do amor envolve todo o filme, todos que olham para David não acreditam que ele é um robô de tão real que ele é, um cara na cena do festival de assassinatos de robôs que não quer deixar que o sacrifiquem comenta, "é uma criação feita com muito amor". E de fato é, descobrimos que David é uma réplica idêntica do filho de seu criador, também chamado David, e que por alguma razão morre. E esse amor produz algo tão magnífico que, num futuro muito distante, vem a ser a única forma de contato de uma inteligência superior e a humanidade que há muito não existia mais. A luta incansável de David só termina, quando finalmente ele escuta o que sempre quis escutar, que é amado. Esse momento é fora do comum. Bom, mas ah, eu sou apenas uma doida que acha que vamos sobreviver na eternidade do universo através da inteligência artificial, não me levem a sério.

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